A vontade de trocar de plano quase sempre nasce de um reajuste alto. É um bom motivo para comparar, mas um mau motivo para decidir com pressa. Trocar pode resolver o preço e criar outros problemas. Estes são os pontos que eu olho antes.

Qual é o motivo real?

Preço, rede que piorou, mudança de cidade, saída de um emprego, família que cresceu. O motivo define a solução. Às vezes o caminho é mudar de plano dentro da mesma operadora ou ajustar a acomodação, e não trocar de operadora.

Carências e portabilidade

O maior receio de quem troca é ter de cumprir carências de novo. Existem duas formas de evitar isso:

  • Portabilidade de carências: é um direito regulado pela ANS. Quem cumpre os requisitos pode mudar de plano sem novas carências para as coberturas que já tinha. Entre as exigências estão: plano atual ativo e em dia, um tempo mínimo de permanência e um plano de destino em faixa de preço compatível. A ANS oferece um guia para consultar os planos compatíveis.
  • Redução de carências: muitas operadoras aceitam o tempo cumprido no plano anterior para reduzir os prazos. É uma condição comercial, com regras próprias, e não um direito.

Antes de decidir, confirme em qual das duas situações você se encaixa e peça as condições por escrito.

Tratamentos em andamento

Se alguém da família está em tratamento, grávida ou com cirurgia marcada, a troca exige cuidado redobrado. Verifique se o novo plano cobre o que está em curso sem carência, se os médicos e hospitais atuais estão na rede e, na dúvida, espere o momento certo.

A rede nova, na prática

Compare a lista do plano específico que você vai contratar com o que usa hoje: hospitais, pronto-socorro, laboratório, especialistas. Uma rede maior no papel não ajuda se ficar longe da sua rotina.

O custo total

Olhe além da mensalidade:

  • Tem coparticipação? Em quais atendimentos?
  • Como fica o preço nas próximas faixas etárias?
  • Como é o reajuste anual desse tipo de contrato?

A ordem certa

Nunca cancele o plano atual antes de o novo estar contratado e vigente. Ficar um período sem plano pode fazer você perder o direito à portabilidade e recomeçar as carências do zero.

Quando trocar costuma valer

  • A rede atual deixou de atender onde você vive.
  • Você tem direito à portabilidade e encontra um plano equivalente por um valor melhor.
  • A composição da família mudou e outro tipo de contrato passou a fazer sentido.

E quando costuma não valer: quando a economia é pequena e o risco de carência ou de perda de rede é grande.

Regras de portabilidade, carências, rede e valores dependem da operadora, do plano e das normas da ANS. Se quiser, eu analiso o plano que você tem hoje antes de qualquer recomendação. Peça uma cotação de plano de saúde e me diga qual é o seu plano atual.